Video de apoio: 2 Samuel
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Visao geral de 2 Samuel para apoiar a leitura com contexto literario e teologico.
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1E disseram a Joabe: Eis que o rei anda chorando, e lastima-se por Absalão.
2Então a vitória se tornou naquele mesmo dia em tristeza por todo o povo; porque naquele mesmo dia o povo ouvira dizer: Mui triste está o rei por causa de seu filho.
3E naquele mesmo dia o povo entrou às furtadelas na cidade, como o faz quando, envergonhado, foge da peleja.
4Estava, pois, o rei com o rosto coberto; e o rei gritava a alta voz: Meu filho Absalão, Absalão meu filho, meu filho!
5Então entrou Joabe na casa do rei, e disse: Hoje envergonhaste o rosto de todos os teus servos, que livraram hoje a tua vida, e a vida de teus filhos, e de tuas filhas, e a vida de tuas mulheres, e a vida de tuas concubinas;
6Amando tu aos teus inimigos, e odiando aos teus amigos. Porque hoje dás a entender que nada valem para contigo príncipes e servos; porque entendo hoje que se Absalão vivesse, e todos nós hoje fôssemos mortos, estarias bem contente.
7Levanta-te, pois, agora; sai, e fala conforme ao coração de teus servos; porque pelo Senhor te juro que, se não saíres, nem um só homem ficará contigo esta noite; e maior mal te será isto do que todo o mal que tem vindo sobre ti desde a tua mocidade até agora.
8Então o rei se levantou, e se assentou à porta; e fizeram saber a todo o povo dizendo: Eis que o rei está assentado à porta. Então todo o povo veio apresentar-se diante do rei; porém Israel havia fugido cada um para a sua tenda.
9E todo o povo, em todas as tribos de Israel, andava porfiando entre si, dizendo: O rei nos tirou das mãos de nossos inimigos, e ele nos livrou das mãos dos filisteus; e agora fugiu da terra por causa de Absalão.
10E Absalão, a quem ungimos sobre nós, já morreu na peleja; agora, pois, por que vos calais, e não fazeis voltar o rei?
11Então o rei Davi mandou dizer a Zadoque e a Abiatar, sacerdotes: Falai aos anciãos de Judá, dizendo: Por que seríeis vós os últimos em tornar a trazer o rei para a sua casa? Porque as palavras de todo o Israel chegaram ao rei, até à sua casa.
12Vós sois meus irmãos, meus ossos e minha carne sois vós; por que, pois, seríeis os últimos em tornar a trazer o rei?
13E a Amasa direis: Porventura não és tu meu osso e minha carne? Assim me faça Deus, e outro tanto, se não fores capitão do arraial diante de mim para sempre, em lugar de Joabe.
14Assim moveu ele o coração de todos os homens de Judá, como o de um só homem; e enviaram ao rei, dizendo: Volta tu com todos os teus servos.
15Então o rei voltou, e chegou até ao Jordão; e Judá veio a Gilgal, para ir encontrar-se com o rei, ao outro lado do Jordão.
16E apressou-se Simei, filho de Gera, benjamita, que era de Baurim; e desceu com os homens de Judá a encontrar-se com o rei Davi.
17E com ele mil homens de Benjamim, como também Ziba, servo da casa de Saul, e seus quinze filhos, e seus vinte servos com ele; e prontamente passaram o Jordão adiante do rei.
18E, atravessando a barca, para fazer passar a casa do rei e para fazer o que bem parecesse aos seus olhos, então Simei, filho de Gera, se prostrou diante do rei, quando ele passava o Jordão.
19E disse ao rei: Não me impute meu senhor a minha culpa, e não te lembres do que tão perversamente fez teu servo, no dia em que o rei meu senhor saiu de Jerusalém; não conserve o rei isso no coração.
20Porque teu servo deveras confessa que pecou; porém eis que eu sou o primeiro que de toda a casa de José desci a encontrar-me com o rei meu senhor.
21Então respondeu Abisai, filho de Zeruia, e disse: Não morreria, pois, Simei por isto, havendo amaldiçoado ao ungido do Senhor?
22Porém Davi disse: Que tenho eu convosco, filhos de Zeruia, para que hoje me sejais adversários? Morreria alguém hoje em Israel? Pois porventura não sei que hoje fui feito rei sobre Israel?
23E disse o rei a Simei: Não morrerás. E o rei lho jurou.
24Também Mefibosete, filho de Saul, desceu a encontrar-se com o rei, e não tinha lavado os pés, nem tinha feito a barba, nem tinha lavado as suas vestes desde o dia em que o rei tinha saído até ao dia em que voltou em paz.
25E sucedeu que, vindo ele a Jerusalém a encontrar-se com o rei, disse-lhe o rei: Por que não foste comigo, Mefibosete?
26E disse ele: Ó rei meu senhor, o meu servo me enganou; porque o teu servo dizia: Albardarei um jumento, e nele montarei, e irei com o rei; pois o teu servo é coxo.
27Demais disto, falsamente acusou a teu servo diante do rei meu senhor; porém o rei meu senhor é como um anjo de Deus; faze, pois, o que parecer bem aos teus olhos.
28Porque toda a casa de meu pai não era senão de homens dignos de morte diante do rei meu senhor; e contudo puseste a teu servo entre os que comem à tua mesa; e que mais direito tenho eu de clamar ao rei?
29E disse-lhe o rei: Por que ainda mais falas de teus negócios? Já disse eu: Tu e Ziba reparti as terras.
30E disse Mefibosete ao rei: Tome ele também tudo; pois já veio o rei meu senhor em paz à sua casa.
31Também Barzilai, o gileadita, desceu de Rogelim, e passou com o rei o Jordão, para o acompanhar ao outro lado do Jordão.
32E era Barzilai muito velho, da idade de oitenta anos; e ele tinha sustentado o rei, quando tinha a sua morada em Maanaim, porque era grande homem.
33E disse o rei a Barzilai: Passa tu comigo, e sustentar-te-ei comigo em Jerusalém.
34Porém Barzilai disse ao rei: Quantos serão os dias dos anos da minha vida, para que suba com o rei a Jerusalém?
35Da idade de oitenta anos sou eu hoje; poderia eu discernir entre o bom e o mau? Poderia o teu servo ter gosto no que comer e beber? Poderia eu mais ouvir a voz dos cantores e cantoras? E por que será o teu servo ainda pesado ao rei meu senhor?
36Com o rei passará teu servo ainda um pouco mais além do Jordão; e por que me recompensará o rei com tal recompensa?
37Deixa voltar o teu servo, e morrerei na minha cidade, junto à sepultura de meu pai e de minha mãe; mas eis aí está o teu servo Quimã; passe ele com o rei meu senhor, e faze-lhe o que bem parecer aos teus olhos.
38Então disse o rei: Quimã passará comigo, e eu lhe farei como bem parecer aos teus olhos, e tudo quanto me pedires te farei.
39Havendo, pois, todo o povo passado o Jordão, e passando também o rei, beijou o rei a Barzilai, e o abençoou; e ele voltou para o seu lugar.
40E dali passou o rei a Gilgal, e Quimã passou com ele; e todo o povo de Judá conduziu o rei, como também a metade do povo de Israel.
41E eis que todos os homens de Israel vieram ao rei, e disseram ao rei: Por que te furtaram nossos irmãos, os homens de Judá, e conduziram o rei e a sua casa dalém do Jordão, e todos os homens de Davi com eles?
42Então responderam todos os homens de Judá aos homens de Israel: Porquanto o rei é nosso parente; e por que vos irais por isso? Porventura comemos às custas do rei, ou nos deu algum presente?
43E responderam os homens de Israel aos homens de Judá, e disseram: Dez partes temos no rei, e até em Davi mais temos nós do que vós; por que, pois, não fizestes conta de nós, para que a nossa palavra não fosse a primeira, para tornar a trazer o nosso rei? Porém a palavra dos homens de Judá foi mais forte do que a palavra dos homens de Israel.
Comentário de Estudo
Após a trágica morte de Absalão, o capítulo 19 de 2 Samuel narra o complexo retorno do rei Davi ao trono. Embora a vitória militar tenha sido alcançada, o coração de Davi estava dilacerado pela perda de seu filho, o que gerou um clima de luto em vez de celebração entre suas tropas. Este capítulo detalha a repreensão de Joabe a Davi, a mobilização das tribos para trazer o rei de volta e os encontros cruciais com figuras como Simei, Mefibosete e Barzilai. A restauração de Davi ao poder é marcada por atos de perdão, gratidão e, infelizmente, o início de novas tensões.
Versículos 1-8
A Tristeza do Rei e a Repreensão Necessária de Joabe
Após a vitória sobre Absalão, o rei Davi mergulhou em luto profundo, chorando abertamente por seu filho rebelde. Essa tristeza excessiva transformou a alegria da vitória em constrangimento para o exército, que se sentiu desvalorizado e envergonhado. Joabe, com sua franqueza característica, confrontou Davi, alertando-o sobre o perigo de alienar seus leais servos e ameaçando uma nova deserção se o rei não se mostrasse grato. Reconhecendo a verdade nas palavras de Joabe, Davi superou sua dor e reassumiu seu papel público, sentando-se à porta da cidade para receber seu povo.
Versículos 9-15
O Clamor por Davi e a Estratégia de Reconciliação
Enquanto Davi se recuperava, as tribos de Israel começaram a debater a necessidade de trazer o rei de volta, lembrando-o como seu libertador. Davi, ciente da hesitação de Judá, sua própria tribo, enviou uma mensagem estratégica através dos sacerdotes Zadoque e Abiatar. Ele apelou para o parentesco com os anciãos de Judá e, crucialmente, ofereceu a Amasa, o ex-comandante de Absalão, o posto de chefe do exército no lugar de Joabe. Essa manobra política eficaz uniu o coração de Judá, que então convidou o rei a retornar, preparando-se para encontrá-lo no Jordão.
Versículos 16-23
A Humildade de Simei e a Misericórdia de Davi
Ao se aproximar do Jordão, Davi foi encontrado por Simei, o benjamita que o havia amaldiçoado e apedrejado durante sua fuga de Jerusalém. Simei, acompanhado por mil homens de Benjamim, prostrou-se diante do rei, implorando perdão e reconhecendo seu erro. Abisai, irmão de Joabe, insistiu que Simei deveria ser morto por sua blasfêmia contra o ungido do Senhor. No entanto, Davi, em um ato de grande misericórdia e como sinal de sua restauração pacífica, jurou que Simei não morreria naquele dia, demonstrando um espírito de perdão e reconciliação.
Versículos 24-30
A Explicação de Mefibosete e a Decisão do Rei
Mefibosete, filho de Jônatas, também veio ao encontro de Davi, mostrando sinais de luto e negligência pessoal desde a partida do rei. Davi o questionou sobre por que não havia fugido com ele, e Mefibosete explicou que seu servo Ziba o havia enganado e caluniado, aproveitando-se de sua deficiência. Ele reafirmou sua lealdade inabalável a Davi, aceitando qualquer decisão do rei. Davi, talvez ainda com alguma dúvida ou buscando uma solução prática, dividiu as terras entre Mefibosete e Ziba, uma decisão que Mefibosete aceitou com humildade, satisfeito apenas com o retorno do rei.
Versículos 31-39
A Generosidade de Barzilai e a Recompensa Real
O idoso Barzilai, que havia provido generosamente a Davi e sua comitiva durante o exílio em Maanaim, veio para se despedir do rei no Jordão. Davi, em gratidão, convidou Barzilai para ir a Jerusalém e viver em sua corte, prometendo cuidar dele. Barzilai, porém, recusou devido à sua idade avançada, expressando o desejo de morrer em sua cidade natal. Ele pediu que Davi levasse seu filho Quimã em seu lugar, para que este pudesse desfrutar da bondade do rei. Davi aceitou, abençoou Barzilai e o beijou, prometendo cuidar de Quimã como se fosse seu próprio filho.
Versículos 40-43
As Tensões entre as Tribos e o Início de um Novo Conflito
Após a travessia do Jordão e a chegada de Davi a Gilgal, surgiu uma disputa entre os homens de Israel e os de Judá. Os israelitas reclamaram por não terem sido convidados para a cerimônia de retorno do rei, sentindo-se desrespeitados, apesar de terem dez partes no rei. Os homens de Judá, por sua vez, argumentaram sua proximidade com Davi por serem sua tribo e parentes. A discussão acalorada revelou as profundas tensões e rivalidades tribais, com as palavras de Judá sendo mais duras. Essa discórdia plantou as sementes para uma nova rebelião, que seria detalhada no próximo capítulo.
Temas
Referências cruzadas
Adaptado de Matthew Henry's Commentary on the Whole Bible (domínio público)
Minhas anotações
Guarde percepções, decisões e orações ligadas a 2 Samuel 19.
Último salvamento: Ainda não salvo